Toda a gente sai de uma boa formação motivada. Duas semanas depois, quase nada mudou no dia a dia. O problema raramente está nas pessoas.
Já assistiu a isto, provavelmente dos dois lados.
Uma sessão que corre bem. As pessoas participam, riem, fazem perguntas. No fim, a avaliação vem alta e toda a gente sai com a sensação de ter aprendido qualquer coisa. Passam duas semanas e, se formos ver como se trabalha naquela equipa, está tudo exatamente como estava.
A conclusão fácil é dizer que as pessoas não aplicaram. É uma conclusão confortável para quem forma, porque atira a responsabilidade para o outro lado da sala. E é quase sempre errada.
Aprender não termina quando se percebe. Termina quando se faz.
Perceber uma coisa é um momento agradável e enganador. Dá a sensação de posse. Mas entre perceber e conseguir fazer há um espaço que só se atravessa a fazer, com hesitação e com erro. Quem já ensinou alguém a conduzir sabe exatamente do que estou a falar: explicar a embraiagem demora dois minutos e não põe ninguém a andar.
A sala dá o mapa. O terreno é onde se aprende a andar. E o desenho da formação tradicional tem um problema simples: acaba na porta. A folha de presenças assina-se, o certificado emite-se, e a partir daí a pessoa está sozinha com vinte ideias novas e a mesma segunda-feira de sempre.
Repare no que acontece nessa segunda-feira. A pessoa chega, tem quarenta emails, três clientes à espera e um processo atrasado. As vinte ideias da formação competem, nesse momento, com a rotina que já funciona e que não exige esforço nenhum.
A rotina ganha. Ganha quase sempre, e não é por falta de vontade. É porque a rotina é automática e o que se aprendeu ainda não é.
É por isto que a pergunta certa a fazer sobre qualquer formação não é "as pessoas gostaram?", é "o que é que passou a ser feito de maneira diferente?". A primeira mede a sessão. A segunda mede o efeito.
Há um princípio que mudou a forma como desenhamos as nossas formações:
quem sai com vinte ideias aplica zero, quem sai com uma aplica uma.Parece uma perda. É o contrário. Uma prática nova instalada vale mais do que vinte apontamentos guardados num caderno que ninguém vai reabrir. E, ao contrário dos apontamentos, uma prática instalada abre espaço para a seguinte, porque deixou de exigir esforço.
É por isso que desenhamos as nossas formações para terminarem em algo que se faz, e não apenas em algo que se sabe. E é pela mesma razão que cada texto que publicamos aqui termina com uma ação concreta para a semana. Não é um floreado de fecho. É a parte que resolve o problema deste artigo.
Se está a escolher formação, para si ou para a sua equipa, há três coisas que valem mais do que o programa.
Se parte de situações reais. Um caso inventado ensina a resolver casos inventados. As situações que valem a pena treinar são as que já correram mal a alguém.
Se sai de lá com trabalho definido. Não uma intenção, uma tarefa: o que vai fazer, com quem, até quando.
Se alguém volta a perguntar. Uma pergunta feita uma semana depois vale mais do que uma hora extra de conteúdo. É a diferença entre um curso e um acompanhamento.
Sem estas três, o que fica é uma tarde bem passada. E uma tarde bem passada tem valor, mas não é o valor pelo qual se paga formação.
Pense na última formação que fez, seja ela qual for, e responda a uma pergunta:
consegue nomear uma coisa que passou a fazer de maneira diferente por causa dela?Se conseguir, é sinal de que aquela formação funcionou, e provavelmente sabe porquê. Se não conseguir, o problema não é a sua memória. É que ninguém lhe pediu, no fim, para escolher uma coisa e mudá-la.
Escolha agora essa coisa. Uma só. Esta semana.