Sep 30 • Catarina Matos

Formação: o verdadeiro motor do crescimento das organizações

As empresas não crescem sozinhas. Crescem quando as pessoas que trabalham nelas crescem primeiro.
Aprendi, ao longo dos anos, que as empresas não crescem sozinhas. Crescem quando as pessoas que trabalham nelas crescem primeiro.

Num contexto económico cada vez mais exigente, as organizações enfrentam hoje um desafio central: garantir que os seus profissionais estão preparados para responder a um mercado em transformação permanente.

A velocidade a que o conhecimento evolui é uma das grandes marcas do mundo empresarial atual. Novos enquadramentos legais, novas ferramentas tecnológicas e novas expectativas por parte dos clientes obrigam as empresas a adaptar-se continuamente. Quem trabalha em setores regulados sente isto de forma particularmente clara: aquilo que se aprendeu bem há cinco anos pode simplesmente ter deixado de ser verdade, sem que ninguém tenha avisado.

A aprendizagem contínua deixou, por isso, de ser uma opção para passar a ser uma necessidade estratégica.

Uma convicção construída no terreno

Ao longo do meu percurso profissional tenho acompanhado de perto a evolução de empresários, diretores de loja e equipas que diariamente enfrentam o desafio de gerir pessoas, desenvolver negócio e responder às exigências de um mercado cada vez mais sofisticado.

Essa experiência reforçou uma convicção muito clara: as empresas crescem de forma sustentável quando investem no crescimento das suas pessoas.

A formação, quando é bem estruturada, não é apenas uma ferramenta de qualificação técnica. É também um instrumento de transformação cultural. Muda a forma como se decide, como se conduz uma equipa e como se olha para o cliente que está do outro lado da mesa.

Foi com esta visão que nasceu o projeto da Academia de Formação do Grupo DS. Mais do que um centro de formação, foi concebida como uma plataforma de desenvolvimento de talento, com o objetivo de dotar os profissionais das competências necessárias para responder com maior eficácia aos desafios do mercado.

O que já vimos acontecer

As nossas formações já somam mais de quatro mil participações, em várias áreas de negócio. E há mudanças que se veem sem precisar de as medir.

Na condução de equipas. Muitos diretores de loja, verdadeiros empresários responsáveis pelas suas unidades de negócio, passaram a dispor de ferramentas e metodologias mais estruturadas para orientar os seus colaboradores. Onde antes havia alguma dispersão na forma de conduzir equipas e de estruturar o acompanhamento, começam hoje a consolidar-se modelos de atuação mais claros.

Na base comum. A partilha de metodologias e de boas práticas tem permitido uniformizar procedimentos e criar uma forma de trabalhar reconhecível. Isto torna-se particularmente relevante numa organização que atua em áreas de negócio muito distintas, da intermediação de crédito à mediação imobiliária, passando pelos seguros, pelo automóvel e pelas viagens, e onde é essencial garantir que quem está no terreno atua com conhecimento técnico, rigor e capacidade de aconselhamento.

Na atração e no desenvolvimento de talento. As ações dedicadas à liderança, ao recrutamento e à gestão de equipas têm ajudado a desenvolver a capacidade de identificar, captar e integrar novos colaboradores. Mais do que aumentar equipas, o objetivo é construir estruturas sólidas, alinhadas com os valores da organização e preparadas para crescer de forma sustentada.

O passo seguinte é medir

Faço aqui uma afirmação que me parece mais útil do que qualquer elogio ao nosso próprio trabalho: formação que não se mede é formação que ninguém pode melhorar.

É por isso que a fase em que estamos agora não é a de fazer mais formação. É a de acompanhar o que acontece depois da formação, com indicadores próprios e com um acompanhamento estruturado das equipas que passam por ela. Ver o que se aplicou, o que não se aplicou e porquê.

Esta é, na minha opinião, a diferença entre uma academia que forma e uma academia que transforma. E é uma exigência que faço primeiro a nós.

Porque é que isto importa a quem decide

Sei que, para quem gere uma equipa, formar levanta sempre a mesma dúvida: vale a pena investir tempo e dinheiro em pessoas que podem sair.

A minha experiência diz-me o contrário do que essa dúvida sugere. As pessoas raramente saem por terem aprendido de mais. Saem, isso sim, quando sentem que estão paradas, quando fazem o mesmo há três anos e não veem para onde podem ir a seguir. E, dessas, sai-se mais cedo e sem ter dado à empresa aquilo que poderiam ter dado.
Investir na formação de alguém é das poucas coisas que uma organização faz que a pessoa lê, sem margem para dúvidas, como sendo a favor dela.

Num mercado competitivo, a formação tem de ser encarada como aquilo que é: um investimento estratégico. As empresas que aprendem mais depressa são também as que se adaptam mais depressa.

Acredito que o futuro das organizações passa por aqui. Por investir nas pessoas, por promover uma cultura de aprendizagem contínua e por preparar líderes capazes de desenvolver equipas fortes, motivadas e orientadas para resultados.

Porque, em última análise, não são as empresas que crescem. São as pessoas que fazem parte delas que crescem, e é esse crescimento que transforma as organizações.

A ação desta semana

Se lidera uma equipa, faça uma pergunta que quase nunca se faz: "o que é que gostavas de aprender e ainda não aprendeste aqui?"

Faça-a a três pessoas. As respostas valem mais do que qualquer levantamento formal de necessidades de formação, e demoram cinco minutos a recolher.
Catarina Matos
Diretora Coordenadora Pedagógica da Academia DS

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